Art 39: Como atuar na glicação com a dieta?

A glicação, além da inflamação e da oxidação, é outro processo bioquímico envolvido no mecanismos de “dano” para o organismo, inclusive na formação das rugas. Seu papel na doença de Alzheimer e no diabetes mellitus é bem conhecido. Inclusive, temos um exame para acompanhar os níveis de glicação: a hemoglobina glicada ou HbA1c. AGEs são produtos finais de glicação avançada (Advanced Glycation Endproduts) que danificam macromoléculas presentes em órgãos e tecidos.

Lembrando, glicação é quando açúcares “açucaram proteínas” (também se usa a expressão “caramelizam as proteínas“), alterando a sua estrutura e função. É fácil entender quando a gente pensa no colágeno, que está lá disposto, com suas fibras ordenadas, organizadas e, com o tempo, com o excesso de “dano”, vai ficando desestruturado, favorecendo a flacidez, a perda da sustentabilidade e menor elasticidade da pele.

Porém, quando nos referimos a uma dieta antiglicante, são poucos alimentos considerados verdadeiramente antiglicantes. Até mesmo em relação à canela, cujos efeitos no metabolismo glicídico são bastante citados, controversas existem (veja estudos científicos abaixo). Os compostos fenólicos parecem ser os melhores candidatos. Na prática, para um efeito antiglicante, devemos principalmente considerar a proporção entre carboidratos (C) e proteínas (P) da dieta (C/P).

Em 2017, obtive a certificação em Nutrição Anti-inflamatória e Pró-resolutiva (2017) fornecida pela Inflammation Research Foundation (Boston, EUA), entidade fundada pelo Dr. Barry Sears (PhD), o criador da Zone Diet. O que ele preconiza, na realidade, é esta combinação de alimentos que não eleve a glicemia e, em consequência, favoreça a glicação. Como a glicemia aumentada também eleva a insulina, uma dieta antiglicante é, em última análise, uma dieta para controle da insulina. Como a insulina é pró-inflamatória, mantendo a insulina baixa, esta dieta também é anti-inflamatória.

Para não elevar a glicemia e não glicar, a dica de hoje é manter a relação entre carboidratos/proteínas da dieta igual ou menor do que 1,3. Em termos práticos, calculamos 40% de carboidratos, 30% de proteína e 30% de gordura em uma dieta. Isso é um aprendizado longo, que deve ser adquirido “passo a passo”, porém que trará inúmeros benefícios para a sua saúde.

Lembrando: a dieta no século XXI deve ser personalizada e esta é apenas uma “recomendação geral”, em que você pode se basear para começar a entender o que é dieta antiglicante ou dieta para controle da insulina, muito importante para todas as pessoas, porém essencial para aqueles com resistência à insulina, risco de diabetes, excesso de gordura corporal e dificuldade de perder peso. A doença de Alzheimer também é associada à glicação e conhecida como diabetes tipo III.

ARTIGOS CIENTÍFICOS:

Santos HO, da Silva GAR. To what extent does cinnamon administration improve the glycemic and lipid profiles? Clin Nutr ESPEN. 2018 Oct;27:1-9.

Leach MJ, Kumar S. Cinnamon for diabetes mellitus. Cochrane Database Syst Rev. 2012 Sep 12;2012(9):CD007170.

Costello RB, Dwyer JT, Saldanha L, Bailey RL, Merkel J, Wambogo E. Do Cinnamon Supplements Have a Role in Glycemic Control in Type 2 Diabetes? A Narrative Review. J Acad Nutr Diet. 2016 Nov;116(11):1794-1802.

Mang B, Wolters M, Schmitt B, Kelb K, Lichtinghagen R, Stichtenoth DO, Hahn A. Effects of a cinnamon extract on plasma glucose, HbA, and serum lipids in diabetes mellitus type 2. Eur J Clin Invest. 2006 May;36(5):340-4.

Namazi N, Khodamoradi K, Khamechi SP, Heshmati J, Ayati MH, Larijani B. The impact of cinnamon on anthropometric indices and glycemic status in patients with type 2 diabetes: A systematic review and meta-analysis of clinical trials. Complement Ther Med. 2019 Apr;43:92-101.

Fernandes ACF, Melo JB, Genova VM, Santana ÁL, Macedo G. Phytochemicals as Potential Inhibitors of Advanced Glycation End Products: Health Aspects and Patent Survey. Recent Pat Food Nutr Agric. 2021 May 28.

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