Art 51: Alimentos ricos em oxalato devem ser evitados?

Oxalato é um sal do ácido oxálico, um ácido que ocorre normalmente em plantas, animais, bactérias e fungos.

Não sei se você já ouviu falar que o tipo de “pedra” nos rins mais comum é de oxalato de cálcio (pode ser também de ácido úrico, cistina ou fosfato de cálcio) e que, em consequência desta informação, as pessoas que já tiveram ou têm propensão a ter pedras nos rins devem evitar alimentos ricos em oxalato.

Quais alimentos são estes?

  • Acelga – 700 mg/100 g
  • Espinafre – 600 mg/100 g
  • Ruibarbo – 500 mg/100 g
  • Cacau – 500 mg/100 g
  • Beterraba – 300 mg/100g
  • Tofu – 235 mg/100 g
  • Amendoim – 150 mg/100 g
  • Amêndoas – 122 mg/100 g
  • Batata – 97 mg/100 g
  • Feijões – 76 mg/100 g
  • Framboesa – 48 mg/100 g

Fonte: Food Revolution Network.org/blog

Observe que todos estes alimentos são alimentos “saudáveis”,  associados a uma boa longevidade, apesar daquela máxima da Medicina do Século XXI que diz: “Nem todo alimento saudável é saudável para você“.

Será mesmo que é importante evitar estes alimentos fontes de oxalato se houver risco de litíase renal (pedra nos rins)?

Este assunto é controverso, porque há quem defenda que uma dieta bem variada terá outros tipos de alimentos/componentes de alimentos que poderão contrabalançar os efeitos prejudiciais do oxalato. Além disso, os alimentos ricos em oxalato podem conter também potássio, cálcio e fitoquímicos, importantes para a saúde.

Aparentemente, dois posicionamentos são importantes:

  • a restrição de alimentos ricos em oxalato não é recomendada para a população, de modo geral (2 xícaras de alimento cru ou 1 xícara de alimento cozido é, em geral, considerada segura; contudo, na forma líquida, a absorção do oxalato é maior e todas as pessoas devem evitar excesso de espinafre, acelga e folhas de beterraba em sucos e smoothies)
  • pode ser necessária a restrição de alimentos ricos em oxalato para pessoas com propensão a cálculos de oxalato de cálcio (menos de 100 mg de ácido oxálico por dia, o que significa nada de espinafre, acelga ou folhas de beterraba), embora não se tenha um consenso de que a restrição seja 100% recomendada

E quando, mesmo restringindo oxalatos, aparece cálculo na urina?

Isto acontece porque existe produção endógena de oxalato, ou seja, pelo próprio organismo, associada ao maior consumo de sal, proteína animal e vitamina C.

Além do mais, o excesso de oxalato da dieta pode se unir a cálcio, zinco e magnésio no intestino e prejudicar a absorção destes minerais. Por isso o espinafre, embora seja rico em cálcio, não é considerado boa fonte de cálcio (porque é rico em oxalato e o oxalato diminui a absorção do cálcio). Portanto, se estiver preocupado com os níveis de cálcio, zinco e magnésio, melhor não abusar do consumo de alimentos ricos em oxalato.

Atenção ao cálcio, porque ele é o mais importante para diminuir a absorção do oxalato (por isso, creme de espinafre preparado com leite rico em cálcio pode ser uma boa opção para consumir espinafre). De fato, dietas pobre em cálcio estão associadas a maior incidência de pedras nos rins por oxalato de cálcio.

Existe uma doença genética chamada hiperoxalúria em que as pessoas têm a tendência de excretar maiores quantidades de oxalato na urina. Estas, com certeza, devem evitar mais rigorosamente os alimentos ricos em oxalato.

 

Fonte da foto: https://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Comida/Receitas/Ingredientes/noticia/2020/02/beterraba-conheca-os-beneficios-e-9-receitas-com-raiz.html

Texto baseado em: https://foodrevolution.org/blog/are-oxalates-bad-for-you/?utm_source=sfmc&utm_medium=email&utm_campaign=blo-2021&utm_content=oxalates

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